## O diretor que virou parte de seu próprio projeto Marcelo Mesquita, o diretor por trás da série \"Pico dos Marins\", teve uma experiência verdadeiramente inesperada enquanto investigava o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon, que sumiu em 1985. Durante suas pesquisas, ele encontrou seu próprio nome em uma página do inquérito policial, o que o levou a uma reflexão interessante sobre seu papel na produção e o impacto da história que estava contando. A série estreou no Globoplay em 12 de maio e consiste em oito episódios que expandem o podcast lançado em 2022, que já acumula mais de um milhão de downloads. Ela se centra no caso do escoteiro de 15 anos que desapareceu durante uma expedição ao Pico dos Marins, nas montanhas de Piquete, interior de São Paulo. O projeto se transforma, assim, não apenas em um retrato de um caso não resolvido, mas também na história de um documentarista que, ao investigar a fundo, se vê involuntariamente imerso na narrativa. Mesquita conheceu Seu Ivo, pai de Marco Aurélio, em 2018 e o que inicialmente parecia ser um café de 40 minutos se estendeu por uma tarde inteira. Seu Ivo trouxe uma caixa repleta de recortes de jornais, fotografias e mapas, ansioso para compartilhar sua saga de busca e dor. Em vez de focar no sofrimento, Seu Ivo queria ressaltar a busca por seu filho, elevando um cartaz de \"procuramos Marco Aurélio\". Esse enfoque do pai guiou Mesquita ao longo de oito anos de produção, enfatizando a luta incansável de um pai por justiça e respostas que, até hoje, permanecem ausentes. A série, portanto, não é apenas um documento sobre um desaparecimento, mas uma crônica de amor, resiliência e a luta de um pai que se recusa a desistir. Com a memória de Marco ainda viva através da narrativa, o projeto promete provocar reflexões profundas sobre a importância de lembrar e lutar por aqueles que se foram.